Prefeitura Municipal de Bicas

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Zona da Mata

Terra dos Maripaquéres

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Para uma melhor compreensão do ocorrido na região, há que se retroceder ao início da história do país... Ao seu descobrimento. 

O Brasil foi descoberto em 1500, e as primeiras povoações surgiram na orla marítima. Os tempos foram passando e vieram as "entradas e bandeiras", em busca dos minérios e, com elas, começaram as penetrações para o interior. Descobertas as "minas" tratou o governo de controlar a saída do ouro, visando a cobrança do imposto.  

Era a barreira natural das montanhas e florestas que margeavam o caminho que seguia do Rio de Janeiro para a região central das Minas Gerais. Assim, toda a faixa de terras do leste mineiro, à direita do antigo caminho que subia para a região do ouro, até o final dos anos de 1700, era ocupada apenas por matas e pelos “primeiros habitantes” (Puris, Coroados e Coropós), o que a tornava um obstáculo natural de grande valia. 

Estabeleceu então o governo central que esta parte das Minas Gerais, que hoje se conhece como Zona da Mata era uma área que não deveria ser habitada nem transitada, “uma área proibida”, para assim evitar que por ela fossem criadas rotas para o contrabando do ouro para eventuais portos clandestinos nos litorais fluminense e capixaba. Daí decorre o fato de a Zona da Mata ter permanecido por um longo período, depois do descobrimento do Brasil, sem a presença de colonizadores.  

Aqui vale o registro de que na micro-região de Bicas, especificamente, segundo Nelson de Senna em “A Terra Mineira”, página 63, as matas eram habitadas pelos Maripaquéres, pertencente ao grupo dos Puris, que talvez tenham emprestado o nome à vizinha cidade, Maripá de Minas. 

Resta dizer que, dentro da organização política do estado no final do século XVIII, esse território pertencia oficialmente à vila de Barbacena, criada em 1791.

 

Razões da ocupação

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Várias razões contribuíram para o povoamento da região, mas pelo menos duas delas devem ser consideradas como grandes responsáveis pela ocupação da Zona da Mata. A primeira delas, a chegada da Corte, em 1808, trazendo um grande número de agregados que aportaram no Brasil como novos “desempregados”. A segunda, o fim do ciclo do ouro na região central da província. 

Affonso de E. Taunay, em “Pequena História do Café no Brasil”, página 48, afirma que os exilados ultramarinos, que vieram com a Corte, aqui chegaram desesperados por obterem as “reais mercês” e passaram a atormentar o príncipe com pedidos de concessões territoriais nas proximidades do Rio de Janeiro, onde pudessem plantar o café e recuperarem as finanças que foram abaladas com a inesperada transferência para a colônia. Para Taunay, esse fato também levou os fazendeiros de então a buscarem a mesma fonte de riqueza. Com isso, o café logo invadiu quase todas as terras disponíveis no estado do Rio e não tardou a saltar o Rio Paraíba para adentrar pelas matas mineiras. 

Quanto à contribuição dada pelo fim do ciclo do ouro parece ser uma conseqüência lógica. Com o fim do ouro fácil, os mineradores buscaram alternativas para seus investimentos. A lavoura mostrou-se uma opção viável e as terras férteis da "zona proibida" tornaram-se atraentes, além de muitos deles contarem com escravos em grande número, o que facilitava a tarefa de desmatamento.  

A chamada Zona da Mata começou a ser povoada no início do século XIX. Com muita rapidez o milho, o café de forma mais visível e as fazendas de um modo geral invadiram quase toda a mata. Números registrados por João Heraldo Lima, em “Café e Indústria em Minas Gerais 1870-1920”, página 13, informam que a região contava com 20 mil habitantes em 1822, saltando para 254 mil em 1872 e, para 430 mil, em 1890. 

A descrição do município de Mar de Espanha, realizada pelo presidente da câmara, Barbosa de Castro e seu secretário Manuel de Souza Lima, em 16.06.1881 (Documento II - 36, 8, 2, nº 2, da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro), informa que a cidade contava com 213 casas e em todo o município eram 40 mil almas (6.600 na freguesia do Espírito Santo). 

Segundo o Jornal O Guarará, de 21.02.1904, o recenseamento realizado naquele ano encontrou no município uma população total de 15.002 habitantes, o que fazia de Guarará o 37º município mais populoso do estado.

 

Fim do Ciclo do Ouro

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No final do ciclo do ouro, as coisas começaram a mudar por aqui. Os antigos mineradores, transformados em fazendeiros pela escassez do minério fácil, começam a buscar as terras férteis que surgiam com a derrubada da mata. E tem início, então, o povoamento da Mata, com gente vinda principalmente de Mariana, de Congonhas do Campo, do Formoso, dos Carijós e das margens dos rios Preto e do Peixe. Começam a surgir os primeiros "fogos", como se chamavam as habitações e, os primeiros povoados nas clareiras abertas na floresta. 

Em 1801 o capelão dos índios coroados, da capela de São João Batista do Presídio, atual Visconde do Rio Branco, padre Francisco da Silva Campos, sugeriu ao governador “a abertura de estradas para comunicar com as novas povoações dos rios Novo e Formoso e, com o sertão até o Paraíba e Paraibuna”, o que vem confirmar a inexistência, até então, de estradas cortando a região. 

Para Auguste de Saint-Hilaire, que percorreu o Brasil entre 1816 e 1822, a Zona da Mata, naquela ocasião ainda estava "vazia de população”. 

Mas foi a partir do início dos anos de 1800, que começaram a aparecer as primeiras concessões de sesmarias às margens do rio Cágado, do São João, do Angu, do Aventureiro, do Conceição e do Louriçal. E foi a partir daí que a região começou a ser povoada oficialmente.

 

Capelas e Povoados

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Com o aparecimento das primeiras fazendas nesta parte da Zona da Mata, aos poucos, também, começaram a surgir as primeiras capelas. Em seguida, ao redor delas, surgiram os povoados. 

Em 20.07.1828 ocorreu a doação de quarenta alqueires de terras, feita por Domingos Ferreira Marques e sua mulher Feliciana Francisca Dias, para a constituição do curato do Divino Espírito Santo (Guarará), segundo a “Enciclopédia dos Municípios Brasileiros-IBGE,1959”, página 186. 

Aqui vale consignar a informação de Celso Falabella de Figueiredo Castro em “Os Sertões de Leste - Achegas para a História da Zona da Mata”, página 105, de que o ato desta doação ocorreu na fazenda Bonsucesso, a 6 Km do antigo arraial do Córrego do Meio, na atual Maripá de Minas. 

Importante registrar, também, que o curato do Espírito Santo de Mar de Espanha, ao qual se reportava a capela de Bicas, pertencia à Arquidiocese do Rio de Janeiro e, por decreto pontifício de 16.07.1897 foi transferido para a Diocese de Mariana, segundo relato do Cônego Raimundo Trindade, em “Instituições de Igrejas no Bispado de Mariana”, página 112.